30 abril 2008

Por que alguns pastores não se reúnem com os outros?


É muito comum nos encontros de líderes, especialmente de pastores, preletores nem sempre ministrarem para satisfação geral, mesmo porque os ouvintes vêm de diversas denominações, crêem diferentemente dos outros, têm estilos e gostos distintos que são mesmos peculiares a cada um.

Entretanto, isto é perfeitamente compreensível para cada um daqueles que decidiram valorizar mais os relacionamentos, respeitando as pessoas pelo que elas são, do que pelas suas formações religiosas, crenças, estilos e gostos peculiares.

Contudo é comum algum líder discordar do que ouviu, ofender-se com alguma posição compartilhada e rejeitar o estilo do preletor e a partir daí, infelizmente, nunca mais voltar ao encontro, rejeitando radicalmente a oportunidade de relacionamento com outros líderes, irmãos em Cristo.

Tenho observado na caminhada de relacionamento com líderes cristãos de várias nacionalidades que o egoísmo, a intolerância, a arrogância, o exclusivismo, o espírito crítico e a desobediência a Palavra de Deus têm desempenhado papéis preponderantes na disseminação de contendas, divisões e insucesso dos encontros entres líderes.

O Espírito Santo determina que a única licença que temos para recusarmos a associação é com aqueles que dizendo-se irmãos, são devassos, ou avarentos, idólatras, maldizentes, beberrões, roubadores. (Conf. I Cor. 5:9-11)

O egoísmo evidencia-se nas agendas próprias, no discurso mascarado de “Reino” quando o que se promove mesmo é o “reino pessoal”, com a promoção exclusiva de programações pessoais e personalistas. A compreensão do que é o Reino de Deus e como se manifesta é essencial para romper com estes comportamentos egoístas que impedem a comunhão com os irmãos.

A intolerância se manifesta na impaciência para com os erros dos irmãos, pela incompreensão de que todos, inclusive nós, temos o direito de pensar e falar diferentemente. Falta espírito de mansidão para encaminhar aquele que foi surpreendido em alguma falta. (Conf. Gal. 6:1). A humildade e o quebrantamento de nosso coração rompe com toda a intolerância, quando reconhecemos que Deus nos aceita como somos, e nos recebe como filhos pelos méritos exclusivos de Jesus Cristo, Aquele que não se envergonha de nos chamar de irmãos.

A arrogância combinada ao orgulho, demonstrados no sentimento de superioridade, na exibição inconveniente de mostrar-se que é melhor e na falsa percepção de auto-importância isola o líder dos outros, e o impede de desfrutar do privilégio da comunhão. É urgente tomar e cingir-se com a toalha de Jesus e abaixar-se para lavar os pés dos irmãos. Servir é a vocação maior do Ministro de Cristo. É a vocação maior de Seus discípulos. Quem não serve não é discípulo DEle, muito menos ministro.

O exclusivismo se manifesta no excessivo particularismo voltado para o ministério pessoal ou da denominação, inflado pela percepção falsa de que se é suficiente para fazer a obra de Deus, é melhor do que os outros e que os outros não sabem tanto. A simples compreensão de como funciona o Corpo de Cristo eliminaria todo exclusivismo, pois individualmente somos de fato membros uns dos outros. E se não somos membros uns dos outros não somos do Corpo.

O espírito crítico é claramente percebido nas conversas entre líderes. Parece que se tornou um hábito indispensável. A Palavra de Deus declara: “Examinai tudo e retende o que é bom.” Porém muitos líderes geralmente examinam tudo e retêm o que é ruim. A intolerância gerada por este cristicismo impiedoso têm condenado muitos preletores ao descrédito, simplesmente porque uma ou duas de suas expressões em seu ensino ou pregação não foram apropriados. Revestir-se da verdadeira humildade é a cura para esta enfermidade da alma, pois leva a reconhecer quem somos e a perceber que também erramos.

Jesus orou ao Pai pela Unidade de Seus discípulos. É desobediência e rebelião a Sua vontade recusar a participar da comunhão dos santos na cidade. Todo esforço deve ser empreendido por cada um de nós para promover reconciliação e a união dos irmãos. Sem comunicação isto não é possível. Nossa indiferença não nos isenta de nossa responsabilidade. Não enxergar esta verdade é miopia espiritual. É não enxergar a amplitude e a diversidade do Corpo de Cristo. É preciso, pois, obedecer a Jesus. Para que todos os Seus discípulos sejam um.

11 abril 2008

E o Senhor fartará a tua alma em lugares secos.

Esta promesa faz sorrir qualquer um de nós. Estas poucas palavras têm um poder acalentador e provocador de esperança enorme que nos transporta de nosso dia mais sombrio para além das nuvens, onde o sol brilha sem sombras.



Quem nesta vida não experimentou lugares secos? Quem nesta existência não passou por vales de angústia, de águas (alegrias) escassas, lábios secos, cabeças curvadas, mãos trêmulas esfregantes ininterruptamente uma contra a outra?

Lugares secos no lar, no trabalho, na escola, na igreja. Sim, na igreja, onde deveria ser sempre um lugar de águas cristalinas que descedentasse a sede de todo mundo, numa oferta indiscriminada de Graça abundante.

É fato para muita gente que a igreja tornou-se um lugar seco pelas competições, invejas e jogos de poder de alguns entulhadores de poços. Filisteus carregados de entulhos de amargura, fofoca, negativismo, legalismo e ódio mascarado de espiritualidade.

Muitos lugares frescos de águas cristalinas se tornaram áridos pela presença daqueles cujas palavras deixaram de ser águas profundas e ribeiro transbordante. Cujas palavras maltratam, perturbam, machucam e secam amizades, relacionamentos e toda a esperança.

Como alguém que teme a Deus pode jejuar para contendas e debates (rixas quero dizer)? Como se distanciou tanto o discurso de Evangelho da prática de vida? Como pode-se, em sã consciência, fingir que se pratica a justiça apelando para uma santidade somente moral e esquecendo-se o mais importante que é a misericórdia, a bondade, a compaixão e o amor?

Como uma vida religiosa de aparência, de encenação, de gestos, de orações bonitas podem esconder alguém do olhar penetrante e profundo do Deus que não vê a aparência mas o coração do homem? “Não há criatura encoberta diante Dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com quem temos de tratar.” (Hb. 4:13)

Nós precisamos tornar a nossa fé mais prática. Precisamos tomar aquilo que chamamos de fé e transformá-la em fé verdadeira. Fé somente contemplativa não é fé; é yoga evangélica. Fé de palavras repetitivas não é fé, é catolicismo evangélico. Fé de palavras de efeito, imponência e “evangeliquês” não é fé; é fantasia, maluquice, psicopatia.

É preciso repartir o pão com o faminto, recolher em casa os pobres desterrados e cobrí-los. Discursar não mata a fome de ninguém. Interceder não abriga pobre algum. Nossas igrejas precisam seriamente considerar esta obra de Deus: abrir a alma ao faminto e fartar a alma aflita. Ao contrário, nossa doutrina e prédica somente apontam para um enriquecimento cada vez maior de nós mesmos, ou pelo menos um desejo enorme de prosperar e ficar rico, possuir carros cada vez mais luxuosos e casas cada vez mais abastadas, e para Lázaro apenas algumas migalhas, sobrinhas que acidentalmente porventura venham cair de nossas mesas ricas e fartas.

Em nosso meio há um jugo tão opressor de palavras, preconceitos comportamentais, júízos, produtos de tradições religiosas totalmente despidas da Graça de Deus, que é insignificante a conversão genuína de prostitutas, homossexuais, viciados e jovens “rebeldes”, enfim, de gente que a maioria considera irrecuperáveis. Muitos daqueles não se aproximam de nós porque têm medo de se sentirem piores do que são. Não suportam o estender do dedo quando deveriam receber uma mão amiga estendida de amor.

Estava ele num lugar seco, fétido, passando fome, angustiado, um pedaço de gente sem nome, sem casa, sem identidade, sem vez, sem chance na vida. “Quantos empregados de meu pai teem abundância de pão e eu aqui pereço de fome!”

“E levantando-se, foi para seu pai, e quando ainda estava longe, viu-o seu pai e se moveu de íntima compaixão, e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.”

“Pai, pequei contra o céu e perante tí, e já não sou dígno de ser chamado seu filho.”

“Mas o pai...” Oh! Que expressão bendita! Mas o Pai... Eu gosto de repetir isto e choro de alegria e gozo. Mas o Pai...

Mandou trazer-lhe o MELHOR vestido e vestiu-lho. O pai o vestiu! Pôs-lhe um anel na mão e sandálias nos pés. O pai pôs!

“Este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.”

Apenas começaram... Porque o vinho na casa do Pai jamais acaba muito menos a alegria.